26/08/2012

O CAMINHO DA VIDA



O Ser Supremo é eterno e auto-refulgente,
É o único que dá vida ao universo inteiro,
É imortal, jamais nasce ou morre,
É o único senhor de tudo.
Ele está em todas as partes,
É Purushatam, o criador incriado,
A Verdade Primordial,
A Verdade através dos séculos.
Assim é agora e assim será
Por toda a eternidade.

Eu sei que o Ser Divino é
Todo amor e compaixão.
E se você meditar e devocionar
Terá a consciência inigualável
Da essência do amor
Você será capaz de ver as pessoas
Tal como elas são realmente,
E não através da mente e do ego,
Que sempre distorcem e omitem
A realidade de tudo.
Você verá tudo com os olhos da Verdade e
Não será mais iludido.
Eu sei que dos seus lábios
Sairão louvores e palavras
Plenas de amor.
Aí então, juntos levantaremos
Os braços com as mãos em gesto
De devoção, evocando o som
Divino da Param Bhakti.
Caminharemos sempre pela senda da virtude.

Que os nossos corações, transbordando compaixão,
não instiguem vingança aos desafetos das trevas. Que
possamos sentir a Verdade para nos unirmos e nos integrarmos
conscientes no Ser auto-refulgente e todo-penetrante.


Fonte: O Círculo de Luz
Sri Maha Krishna Swami

18/08/2012

OS INDESEJÁVEIS LAÇOS DA AMIZADE

Quando alguém deseja praticar alguma ação e não quer assumir sozinho as consequências, procura sempre envolver outros em suas tramas emocionais. A pessoa sabe que aquela atitude é errada, mas como está inconsciente da Verdade Suprema, e também não quer assumir a mentira do ego profano, arma-se de cinismo, vaidade, ódio e tantas expressões do ego e da mente pensante.

Aqueles que ainda são levados pelos apegos não deve argumentar, convencer os outros de que tal atitude está correta. É preciso ser responsável por cada ação praticada. É bom ser um exemplo de perfeição, de possibilidade de conscientização do divino. Não se pode também ser responsável pelas ações alheias. Bastam a cada um suas próprias ações, suas próprias responsabilidades. Quando se convence a outros que tenham determinada atitude, adquire-se um duplo, karma: um pela própria ação, e outro por conduzir a pessoa por caminhos opostos ao Divino Ser. Cada um deve assumir suas faltas sozinho.


Fonte: Emancipação- Sutra Maha Devi
Sri Maha Krishna Swami

11/08/2012

HONRAS - CUIDADO!

O apego à riqueza
E às honras humanas
Conduzem à arrogância
E com certeza
Todo o mal virá a seguir.

Os pensamentos de honras,
Riqueza e pobreza
A nada conduzem
Senão ao afastamento
Da Verdade.

Sábio é aquele que,
Quando estas coisas
Começam a espreitá-lo,
Ele as rejeita.

Pobre daqueles que
Se deixam levar
Pelo brilho ilusório
Das recompensas
Do mundo profano,
Pois estes estarão
Afastados por ciclos imensos
Das virtudes supremas.



Fonte: Maha Gita purusham do Bem-aventurado
Sri Maha Krishna Swami

03/08/2012

A PRESENÇA DOS MESTRES NA TERRA



É difícil para a humanidade conhecer as causas e efeitos dos acontecimentos e livrar-se do sofrimento no qual se envolveu. Não sabe como sair dessa situação, e por isso uma grande confusão se insta-la entre os homens. E é nesse momento de caos que os Mestres se aproximam das pessoas para ajuda-las a encontrar o caminho da autolibertação. Quando eles vêm é porque o mundo está em desgraça, caso contrário, não viriam. O fato de virem muitos Mestres à Terra é sinal de decadência total.

Os Mestres trazem aos homens toda compaixão, ternura, serenidade e amor supremo, ensinando-lhes o caminho da autolibertação. Eles dedicam todos os segundos de suas vidas a ajudar as pessoas para que saiam da imundície que aparentemente prevalece sobre elas. Se um vegetal como o lótus ou a vitória-régia, que nascem no lodo, emergem rumo à luz, tanto mais os homens podem fazê-lo, pois tem a chance de conscientizar-se do estado natural de ser. Em lugares íngremes, inóspitos, lugares onde aparentemente não há vida, nasce uma planta, uma flor. Da mesma forma, há pessoas que, apesar desta época de densas trevas espirituais, querem nascer para a divina conscientização.

Os Mestres sempre nos convidam a entrarmos no caminho espiritual e realizarmos o grande trabalho de desprofanação da Verdade Suprema em nós mesmos. Esse trabalho é um grande banquete. Na cabeceira da mesa deste banquete está sentado o Cristo, que nos orienta a cada passo. Ele nos dá muita coragem e confiança para seguirmos sempre em frente na jornada espiritual.

Todo Mestre ensina aos homens como saírem da inconsciência espiritual. Não é o Mestre que salva a pessoa, mas ele possui as técnicas de autoconscientização. Aquilo que o Mestre ensina é o que ele vive. Porém, o conhecimento dessas técnicas não é tudo, pois ele deverá ser, posteriormente, abandonado para que a consciência de ser possa torna-se realidade na pessoa.

A afirmação “sou o Ser Supremo” de nada vale ao homem sem ajuda do Mestre que o guia até a realidade de ser, da mesma forma que ninguém se converte num rei dizendo meramente “sou rei”. Até mesmo o estudo das escrituras, quando são feitos a nível de informação, são inúteis. Mas para quem as utiliza como guia de autoconscientização, elas tornam-se a força que conduz ao Mestre. Só através dele é que se pode conhecer e sentir o Ser em todo seu esplendor.

Um tesouro escondido embaixo da terra jamais será obtido apenas por se ouvir falar dele, mas prestando atenção às referências que indicam onde ele está localizado. Logo, cavando e recolhendo a terra que o esconde, pode-se extraí-lo para beneficiar-se dele. De igual modo, o discípulo deve ouvir do Mestre a respeito da Verdade Absoluta, e assim poderá experimentar essa Verdade através da meditação constante, até ela torna-se um estado natural nele. Quem se conscientiza da Verdade conhece sua unidade com ela.

A Verdade Absoluta jamais pode ser conscientizada através de meras argumentações. Portanto o discípulo deve fazer todo o esforço possível para chegar ao Mestre, para eliminar a escravidão da existência individual e obter a autoconscientização. Só o Sat Guru Deva, o Mestre, que é conhecedor da realidade eterna, pode levar o discípulo picado pela serpente da ignorância a experimentar a Verdade do Ser Divino. Assim como uma doença não é eliminada de uma pessoa sem que ela ingira o remédio adequado, de igual modo também o estado de escravidão da inconsciência não pode ser eliminado sem ajuda do Sat Guru, que é um com o Ser Divino.

Os discípulos que se refugiam nos ensinamentos do Mestre tornam-se invulneráveis ao ardente vento do samsara. A mente pensante se aquieta perante a força dos ensinamentos do Sat Guru Deva. Dessa forma, a Força que Age toca profundamente seus corações doando-lhes segurança e proteção. Daí em diante nada deve temer. Nenhum dano lhes acontecerá, pois receberam a sagrada iniciação, o meio simples e poderoso de meditar e devocionar o som sagrado que procede de Hari – a força sustentadora, obtendo, assim, a bem-aventurança. Por essa prática espiritual os sábios que renunciaram ao mundo do ego profano conscientizaram-se da verdade de ser.

O Mestre é capaz de destruir a escravidão daqueles que a ele se entregam. Ele é a essência da sabedoria. Seu conhecimento uniabrangente é puro como o cristal, porque já transcedeu os desejos, inclusive os divinos. Ele é eternamente misericordioso. Assim sendo, protege os seres que se unem a ele. Sua grande virtude é a neutralidade. Sua paz é a paz suprema. É bom para aqueles que são bons. Para os que não são bons, é eternamente bondoso e de amor sem fim. Para os que se acreditam seus inimigos é tolerante e pede tudo de bom para eles. Com os inconscientes da Verdade Suprema é compassivo e os conduz para a conscientização do Divino Ser.

Só podemos conscientizar-nos do Ser Supremo se estivermos na companhia do Mestre e seguirmos sinceramente seus ensinamentos. Ele é que nos ensina como eliminar a sensação de ignorância espiritual. Ele é necessário para que os sagrados ensinamentos puros e de salvação prevaleçam na Terra.

É preciso constantemente verificarmos se estamos seguindo os ensinamentos do Mestre, se estamos amando o divino sobre todas as coisas e se realmente confiamos no Mestre que nos guia. Devemos abrir nossos corações, abandonar as aparentes dores pessoais ou apegos que pensamos existir. Não se pode dar maior importância aos afazeres pessoais que à Verdade. “Busque o divino em primeiro lugar, e tudo o mais lhe será dado por acréscimo.”

O Mestre aceita de bom grado tanto o bom como o mau discípulo. O mau discípulo é aquele que insiste em viver as expressões do ego e da mente pensante, desejando aquilo que o atrai para o mundo profano. Ele desobedece às leis divinas para obedecer ao ego e assim afunda-se na inconsciência espiritual. Entretanto, se obedecer aos ensinamentos, estará obedecendo ao Ser Supremo que ele é, em essência.

É preciso praticar os ensinamentos do Mestre. Ouvi-los e leva-los a nível de vivência são duas coisas bastante diferentes. A obediência, o Sharanam, o estar aos Pés da Força Suprema é um dos caminhos considerados pelos grandes Mestres. Francisco de Assis realizou sua missão porque seguia plenamente os ensinamentos do Cristo. O próprio Cristo afirma que consegui realizar sua missão porque obedecia à vontade do Pai que o enviou. Quando se é obediente aos ensinamentos dos Mestres, a autoconscientização é automática.

O Mestre não vem acusar os homens de estarem com grande problema de inconsciência espiritual. Ele diz que isso acontece, mas também ensina como livrar-se dessa situação. Através da intuição pura o Mestre transmite seus ensinamentos. A intuição divina, a lembrança de ser, a verdade de ser é que afirma a possibilidade de autolibertação. A todo instante o Mestre indica o caminho a seguir, através de ensinamentos falados, escritos e também silenciosamente, através da Sagrada Upadesa, a força silenciosa que age enquanto a pessoa trabalha, medita, devociona. É evidente que a Upadesa só não pode ser transmitida quando a pessoa está desarmonizada, pois ela mesma se trava, fechando-se à possibilidade de receber essa força espiritual
Muitos se julgam auto-sufucientes e rejeitam os sagrados ensinamentos, achando que os Grandes Mestres nada mais podem fazer por eles. Freqüentemente são incapazes de se despojarem de teorias e crenças, daquilo que chamam de “ponto de vista”, e quando vão ao Mestre tratam de dar-lhe um nome como yogue, santo, Mahatma, ou qualquer outro rótulo que se adapte aos seus gostos pessoais. O pensamento dessas pessoas é sempre de comparação com outros Mestres, dos quais ouviram falar ou leram a respeito. Assim, ao invés de aproveitarem a presença divina do Mestre, dispersam-se em pensamentos inúteis que as impedem de se beneficiarem. “Têm olhos e não vêem, têm ouvidos e não ouvem.”

Nada ajuda tanto a pessoa na presença do Mestre como a quietude da mente. Assim se abrem as portas de seu coração para que a força do Ser seja sentida. Muitas vezes, a hipocrisia, ainda que de forma sutil, esconde-se atrás das ações que carecem de naturalidade. Nada disso pode existir perante o Mestre. Ele conhece e entende tudo o que acontece em cada um que está diante dele. O Mestre nunca julga, e sua atitude compassiva jamais varia, ainda que o ego e todas as imperfeições sejam claramente vistos por ele. Esse é justamente o motivo de sua influência, de sua maneira de ajudar, com a máxima eficácia, as pessoas a se libertarem da mente pensante, que é a origem dos defeitos e fraquezas.

A força que vem através dos Mestres é o Ser. É a mesma força que esteve em Krishna, em Moisés, em Ramana, em Rama, e em muitos outros. Ela também é o Messias, o Cristo. Muitos perguntavam a Jesus: “Como você pode falar de Abraão, se não o conheceu?” E Jesus lhe respondia: Eu era antes dele. Sou antes, durante e após todas as coisas”.

Muitas pessoas afirmam: “Eu tenho Jesus em casa. Tenho até um Jesus pendurado no pescoço. Tenho em alguma gaveta”. Outros dizem: “Eu tenho Budha”. Outros ainda: “Acredito em Deus”. Mas nenhum desses afirma que é Jesus, que é Budha, que é Deus, ou que é a Luz. Todos os têm em algum lugar. Inclusive podem sair e deixa-los em casa. Porém, quando se medita e devociona, não se pode deixar Cristo em casa, não se pode guardá-lo na gaveta. É preciso abandonar a idéia de se ter um Cristo em qualquer lugar do universo. Não temos o Cristo, nós o somos.

Falsos sadhus ficam meditando em cavernas, em montanhas, em bosques e em nada ajudam os que necessitam aprender a meditar. De tempos em tempos vêm para o meio do povo, ganham alguma meditação, são admirados e vão embora. Jesus, Ramana, Budha e muitos Grandes Mestres ensinaram a Verdade a nível de vivência, não a nível de palavras apenas, não a nível de festivais ocos em beira de rios para atrair turistas. Realmente útil é o que Jesus, o Cristo, fez. Indicou aos homens o caminho espiritual. Deixou-se crucificar, não para nos salvar, como muitos fazem acreditar, mas sim para salvar o seu próprio trabalho, a sua própria missão, da qual devemos tomar exemplo e segui-la. Não se pode pensar como aqueles que imaginam que Jesus morreu para nos levar os pecados, como um bode expiatório.

O Mestre não omite a Verdade e diz o que deve ser dito. Podem-se pesquisar as sagradas escrituras, como os “Evangelhos”, e notar que ali, embora os ensinamentos tenham sido alterados, está a Verdade ensinada por Jesus. Não podem ser apagados os ensinamentos de Bhagavan Sri Ramana, o “Bhagavad Gita”, de Krishna, o “Ramayana” que, embora um tanto folclórico, mostra ensinamentos de Rama.

O verdadeiro Mestre não se esconde. Ele mostra-se aos homens e tenta ajudá-los, dedicando toda a sua vida para ajudar seu semelhante. Quem se esconde numa caverna, ou onde quer que seja, ainda possui uma falha em sua autoconscientização e não tem tanta força quanto imagina. Bhagavan Sri Ramana permaneceu durante certo período em uma caverna até descobrir que ele era consciência, o Ser. A partir desse momento, começou a ensinar o caminho direto a todos.

O Mestre não se envolve com o que se passa no mundo. Da mesma forma como ele vem à Terra, ele vai, e com nada se contamina. A vinda do Mestre é para dar um exemplo de que, mesmo nesta época de densas trevas espirituais, há possibilidade de se estar livre dos sofrimentos. Ele não se preocupa se o mundo está mal ou se está bem, porém seus ensinamentos são justos, porque provêm da intuição pura, e não da mente pensante, do corpo ou dos sentidos. Quando transmite os ensinamentos, permanece livre de qualquer possibilidade de intromissão mental, mesmo de outras pessoas, nem é influenciado por alguma escritura que tenha lido. Ele fica vazio de si mesmo e expressa os sagrados ensinamentos para a conscientização espiritual. O Mestre nunca faz exatamente aquilo que se espera dele, pois quem espera algo de alguém é o ego. O Mestre age guiado pela intuição pura.

O Mestre é inspirado pelo amor supremo. Essa virtude divina é a força motriz para a missão espiritual na Terra. Ele é um com a força da sustentação, e os discípulos são um com o Mestre. Se o discípulo obedece ao Mestre, obedece também a essa força divina, que estará presente em todos seus atos, e transformar-se-á em compaixão. Compaixão é o princípio sagrado de todos os Budhas, os quais agem em prol daqueles que necessitam de ajuda no universo inteiro, não importando a forma de vida que tenham ou o lugar em que se encontrem. Assim é o voto daquele que ama seu semelhante como a si mesmo.

Siga todos os ensinamentos do Mestre. Sinta-se um com ele. A unidade com o Mestre é a unidade com o Ser sem forma. Não se pode personificar o Mestre. Ele é o Ser. Jesus dizia: “Não faço a minha vontade, senão a vontade de meu Pai. Meu pai e eu somos um. O Pai ama a mim e, portanto, se você também ama a mim, meu Pai, que está em mim, ama você”.




Fonte: O Homem de Aquário
Sri Maha Krishna Swami