30/11/2012

ESTADO NATURAL DE MEDITAÇÃO




Se alguém despreza a sabedoria suprema, vive na ignorância espiritual e, portanto, ser-lhe-á impossível conscientizar-se de sua origem divina. E para que serve todo conhecimento exterior se o homem desconhece a si próprio? Ele pode aprender como se processam as atividades mentais, como é o funcionamento do corpo e dos órgãos dos sentidos; pode aprofundar-se nos estudos de sua própria personalidade, conhecendo seus complexos, suas qualidades, suas limitações. Porém, se permanece inconsciente da sua Essência Divina, de nada adiante intitular-se sábio, pois estará vivendo na total limitação da manifestação temporária.

Aquele que se eleva pela Força Suprema permanece livre de qualquer sentimento de dualidade entre ele e a Verdade Absoluta. A ação praticada com o conhecimento supremo é a melhor maneira de ele dirigir-se rapidamente para longe das armadilhas do mundo profano. Através das técnicas da meditação iniciática e da Param Bhakti evita o demasiado falar porque sabe que as palavras são formas de pensamentos. Não possui ideia de conseguir poder, fama, autoridade, pois é livre da ambição. Renuncia também à sua personalidade, ao sentimentalismo, ao amor próprio, à história pessoal e vive acima de qualquer interesse das manifestações humanas. Está sempre voltado para a Verdade Suprema e por isso permanece pleno na harmonia divina, na felicidade perfeita.


Fonte: O Consolador
Sri Maha Krishna Swami.

03/11/2012

KUNDALINI, A FORÇA VIVIFICADORA

Muitas pessoas baseiam o desenvolvimento espiritual no despertar de Kundalini pela prática requintada do sexo. Isso ocorre porque a primeira ideia que surge é a libertação pelo prazer e não pela renúncia. Cria-se então uma filosofia que traz tal teoria. São literaturas que divulgam a ignorância, não a consciência do divino. É um modo primitivo de entendimento e também uma maneira de manter-se apegado ao prazer. Porém, o caminho verdadeiro é o contrário a isso. O homem deve desapegar-se dessas ideias estranhas e recolher-se no divino. Agir de outra forma é querer ir por atalhos. Não se pode ir ao divino por nenhum atalho. Vai-se direto. A libertação pelo prazer não existe. Budha, Krishna, Shankaraya, Jesus, Ramana não ensinam isso. Nenhum dos Grandes Mestres ensinou isso. Se eles não ensinaram, isso não é verdade; não há possibilidade de conscientização espiritual por esses métodos. 

A energia Kundalini, que muitos afirmam ficar na base da coluna, não está certamente ali. Imaginam que Kundalini se localiza nessa região porque não conseguem entender de outra maneira. Aparecem muitas escolas, filosofias, ciências tântricas, seitas secretas tentando explicar a energia Kundalini. Confundi-la com força sexual é uma forma primitiva de entender a força iniciática, é um raciocino bastante infantil, é o primeiro que ocorreu e é fácil de ser explicado, mas não é exatamente assim que os fenômenos se processam. A necessidade sexual não é Kundalini. Essa necessidade é uma secreção de glândulas para outros fins, fazendo parte da vida física, temporária no universo manifestado. Não se faz mais necessária nenhuma teoria acerca da yoga tântrica ou Kundalini. Se a pessoa meditar e devocionar orientada por um Mestre essa energia chamada Kundalini se vivificará nela. 

Para melhor esclarecer esse tema podemos relacionar três forças manifestadas que são: Fohat, Kundalii e Prana. Elas se destacam entre as infinidades de forças cósmicas que são irradiadas pelo Sol, fertilizando e interpenetrando as próprias energias do mundo físico que compõem o sistema planetário e que são as mais importantes e úteis ao conhecimento da humanidade atual.

Fohat é conhecida também por eletricidade e pode transformar-se em calor, magnetismo, luz e força de movimento. Kundalini é a energia que vivifica. É uma energia solar que se localiza no centro da Terra, num núcleo muito coeso, e se desprende violentamente para periferia, ativando os seres em um impulso dinâmico de alto valor transformativo e criativo, dando vida a todas as coisas: o mar se movimente, os seres nascem, morrem; acontecem todos os processos de vida. É Kundalini que emana toda essa poderosa força. Quando ela é excessiva, os vulcões entram em erupções. É como a chaminé de uma fábrica, um escape de calor. Assim como Kundalini atua na Terra, atua também no homem. É o fogo do universo que mantém a vida, mas essa vida que o homem compreende não tem nada a ver com realização espiritual ou consciência do divino. Kundalini é uma força manifestada, e fogo não pode ser a realização do divino. O maior centro de força do homem está no plexo solar. É nessa ragião que se recebe alimentação da força Kundalini. Ela entra pelas plantas dos pés, pelos centros nervosos, meridianos que estão nos pés para essa finalidade, isto é, para absorver a energia, e ela vai se localizar na região do plexo solar. Tanto é que quando a pessoa fica desarmonizada nessa região, bloqueiam-se todas as energias e assim ela fica confusa, tensa, com grandes problemas, até que essa força venha a se harmonizar novamente. 

Não existe nenhuma relação entre o despertar de Kundalini e a consciência do divino. O conceito comum é que a pessoa torna-se consciente do divino só quando Kundalini for plenamente despertada nela, porém não é bem assim. Quando se medita e devociona aparece nos centros etéricos (chacras) força vivificadora de Kundalini, que os pseudo-yogues dizem ser uma energia divina, criando assim ideias confusas e folclóricas a respeito disso. Mas nada há de divino nessa energia. Ela é apenas uma manifestação. Kundalini é uma energia que está presente em todos os corpos celestes rodopiantes no espaço, em todas as moléculas e átomos. Porém ela é muito mais forte nos centros manifestados, assim como planetas, estrelas. Os sois também são logos manifestadores. Eles manifestam a vida através de várias expressões da energia Kundalini. Ela é manifestada para movimentar a própria manifestação, é um veículo de vida, de força central, motriz.

Prana é uma energia sutil, de vitalidade, em potencial, e é responsável por todas as manifestações da vida no universo. O prana está em todos os fenômenos do mundo exterior, da matéria, assim como também nutri a vida do mundo espiritual, mental, astral e etérico. Prana é a vida manifestada em cada plano de atividade. É o sopro vital. Na matéria, é a energia que edifica e coordena as moléculas físicas, ajudando-as de modo a compor as formas dos reinos mineral, vegetal e animal. Prana é uma energia de grande poder e amplitude cósmica, que se manifesta em todos os planos da vida. Sua falta implicaria a desintegração e o desaparecimento instantâneo do universo exterior, que é usado como veículo de conscientização do divino. Os diferentes tipos de prana são a energia coesiva do universo. Sem a força do prana não haveria existência, não haveria manifestação, não haveria logos manifestadores.

Essas três manifestações energéticas, Fohat, Kundalini e Prana, irradiadas pelo Sol, que é o centro principal de vida na Terra, jamais se transforma noutra forma de energia, pois tais elementos são tipos específicos, à parte, que atendem exclusivamente  às necessidades e funções mencionadas. A conscientização espiritual no homem não depende de Kundalini. O homem já é o Ser Supremo. O Ser é o criador da energia Kundalini. O que o homem precisa fazer é conscientizar-se de que ele é divino em essência através da devoção e meditação iniciáticas.


Fonte: SER
Sri Maha Krishna Swami