07/11/2016

"... Devocionar é muito bom porque, aos poucos, o adepto começa a não mais notar diferença entre ele e o Ser Supremo, e também não é mais enganado por esse mundo, porque começa a discernir o que é real e o que é ilusório. Com a devoção, tudo aquilo que vem para perturbar afasta-se. Quando acontecem sensações de que não se vai conseguir realizar algo, é necessário que se usem os mantras, repetindo-os constantemente. Essas sensações desagradáveis provêm da mente, do ego profano. Nada tem a ver com a Verdade Suprema.

O mantra Sad Guru Gamayam deve ser utilizado para que a harmonia interior se restabeleça, mesmo o que ainda não se esteja identificado com ele. É só colocar um "M" no final que se transforma num poderoso mantra. O som "M" ecoa como o som do Ser, de OM. Tudo de bom será conseguido por esse mantra, porque ele está ligado a grandes forças da Perfeita Comunidade de todos os Mestres. Presentemente a Maha Yoga é a representante na Terra dessa fraternidade universal.

Às vezes o mantra aprendido durante as praticas do Maha Bhakti surge inesperadamente para o adepto e este devi, silenciosamente, repeti-lo, onde quer que esteja. Com essa prática ele começa a se sentir um com o Ser Supremo e livra-se da ideia de dualidade. O que está nos extremos deve vir para o centro. Nunca se deve ir para os extremos. Se, ao meditar, surgirem problemas com pensamentos, é só usar essa técnica e os pensamentos se desfazem. Os pensamentos não têm possibilidade de subsistirem aos mantras. Por esse método, percebe-se que a meditação é muito mais profunda, e que a mente não tem domínio sobre o adepto. 

Não se deve confundir mantras, que são sons sagrados, iniciáticos, com mantrans. Mantrans são parecidos com preces. São palavras combinadas entre si, com muita força espiritual. As orações construidas pelas religiões, ou pelo povo, despertam a emoção e não conduzem à conscientização do divino. Há uma grande diferença, por exemplo, entre a prece de Francisco de Assis e o pai nosso do catolicismo. Francisco de Assis nos dá um caminho completo quando ele diz: "Pai, fazei-me instrumento de vossa paz. Onde haja ódio consenti que eu semeie amor...". E no final da prece ele afirma que morrendo para o ego é que se nasce para a vida eterna. E a outra prece diz: "Pai nosso que estais no céu. O próprio Jesus fazia essa prece de maneira diferente. Ele dizia: "Pai nosso que viveis em nós. Que possamos fazer vossa vontade assim como tudo é feito na natureza e em todo universo. ". É uma questão de fazer a prece com menos ou mais emoção, fazer uma prece una ou uma prece dual. Existem preces que são aparentemente duais, mas que nos levam à unidade.

Não se deve devocionar somente durante um ritual no ashram .  A devoção deve continuar, o som sagrado deve está sempre presente. Se o adepto estiver em constante devoção, permanecendo todo o tempo com o som sagrado em sua cabeça e em seu coração, estará evitando que a desarmonia o atinja. Agir assim não impede que o adepto viva de maneira natural em seus estudos, em seu trabalho, em sua vida cotidiana. Por esses meios conhecerá a Verdade e essa Verdade o libertará. Essa Verdade também se chama compaixão e consolará primeiramente o seu coração e depois o coração dos outros. Ninguém consola os outros se ele não conhecer a Verdade Suprema, se não vivê-la plenamente. O adepto deve consolar seu semelhante, e não buscar ser consolado. Se ele agir contrário a essa lei divina estará dando trabalho inútil a si mesmo e a seu Mestre.

Quando devocionamos a Bhagavan Sri Ramana, o desencantador de todas as ilusões, de todas as formas, ele nos solicita a entrega. Dizia Bhagavan: "A entrega é tudo". Quando meditamos, quando devocionamos, devemos entregar a mente, o corpo, os sentidos e todos os veículos de conscientização ao desencantador silencioso para nos tornarmos instrumentos perfeitos e sentirmos realmente o que somos. Somos indubitavelmente o Ser. Todo mundo diz que temos um deus ou que temos um grande espírito, mas ninguém se assume como sendo essa força. Todo problema está nessa ignorância, em não assumir que somos divinos em essência.

Nós não temos, somos. Se somos o Ser, não podemos ser a mente, não podemos ser o corpo, não podemos ser os sentidos, porque eles morrem, e tudo o que morre não é verdade, e o que nasce também não é. Só a força que faz nascer e morrer é que é verdade. O ego profano é fadado à morte certa, porque ele já é a morte. O Ser, a vida, é eterno e presente. Por isso chama-se Ser, chama-se vida. Devemos sempre agradecer a presença do Sad Guru Bhagavan Sri Ramana e de todos os Grandes Mestres por todas as técnicas de conscientização do divino que eles nos trazem... ".



Fonte: livro SER
                    Sri Maha Krishna Swami